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Coluna A Começar por Mim: Lutei uma guerra que não era minha

Um movimento rápido e firme consegui eliminar o último combatente.

Por Ieda Maria | Escritora em 10/07/2021 às 08:46:43

Um movimento rápido e firme consegui eliminar o último combatente.

Pronto. Tarefa cumprida. Olhei ao redor, todos no chão... Havia muito sangue e o calor do sol misturava cheiros num cenário desumano.

Não havia mais aliados. Nem os outros. Não digo inimigos, porque lutei uma guerra que não era minha. E os motivos? Disseram que seria para o nosso bem e da Nação. Mas, sabíamos todos que o nosso bem e o da Nação nunca foram a prioridade de lideres enlouquecidos. Os que disputam um pedaço de terra a mais para aumentar suas fronteiras ou os que miram outra ambição qualquer que lhes dê mais poder e os tire do tédio da posição de sentados atrás da mesa.

Estes, no entanto, não vão para os campos de batalha. Nem deixam suas mulheres sem os pais, irmãos, maridos ou filhos. Apenas convocam e ordenam: matem!

Lembrei-me de algumas teorias que você tão bem conhece. Tais como: a de fazer o mal, cumprindo ordens e banalizando a barbárie. Ou a do livre arbítrio. Ambas, pontos opostos do mesmo assunto. Pergunto - até onde uma pessoa tem poder para decidir sobre seus atos?

Então, coloquei-me a caminho na primeira direção em que olhei - o poente. Tal qual, como correndo atrás do sol que, entristecido, se recolhia. Percebi que eu também buscava o meu lar. Queria voltar para casa e abraçar minha família.

À medida que caminhava... tão cansado, triste e sujo, ia pensando que toda essa dor não seria compartilhada com minha família. Por tantos motivos... Primeiro, porque é difícil lembrar o desespero nos rostos dos que tinham seus corpos lacerados e cujos gritos nada mais eram do que memórias inúteis de um mal que recaía sobre mim. Segundo, porque ainda não sabia se aqueles tombados, não tiveram melhor sorte do que eu que, voltando, seria recebido como herói. Ou, a de apenas vivenciar o cerimonial do herói: o asco de festejar a dor alheia.

Herói, por matar pessoas que como eu abandonaram sua vida para defender o capricho dos ineptos para o diálogo e para a diplomacia onde boas conversas, parcerias e tratados, resolveriam todas as demandas. E, em paz.

Guerras, são maneiras sórdidas de ocupar territórios e desestabilizar a humanidade para que, num período específico, seja justificada, ainda, a maior exploração.

Assim... enquanto a guerra produzir lucro, a paz nunca será opção.

Ieda Maria.

https://www.instagram.com/iedamaria.oficial/

Fonte: Ieda Maria | Escritora

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